V de Vingança
Nascido da mente de Alan Moore, que o publicou como graphic novel nos anos 80, V de Vingança disserta, antes de mais nada, a política do olho por olho, dente por dente. Alçado por alguns como libelo ao terrorismo, o filme produzido pelos irmãos Wachowski e dirigido por James McTeigue parte de uma outra premissa que aparenta financiar a tese do terro como agente de mudança, porém fica-se apenas no lembrar: o terror se combate com o terror.
Estamos na Inglaterra, ano de 2020. O ditador Adam Sutler (John Hurt, muito bom do outro lado do balcão!) comanda os pais do futebol com mão-de-ferro (Moore fazia alusão ao futuro do governo da ex-premiê inglesa Margareth Thatcher, Wachowski/McTeigue tem outros alvos a disposição). Inspirado no "traidor" Guy Fwakes - personagem histórico que tentou explodir o Parlamento britânico, sem sucesso, no século 17 - aparece Codinome V (com voz de Hugo Weaving) para, no dia 5 de novembro, data da ação de Fawkes, lembrar a Sutler que a liberdade ainda existe, mesmo que feita por modos heterodoxos. Antes disso, ao som de Tchaikovski, iniciam-se os ataques ao governo inglês.
Temos então um ditador, que controla pelo terror tanto a população quanto seus pares no governo. Do outro lado temos V, um produto do Estado fascista que o governa, disposto a mudar a ordem das coisas por intermédio do terror, ou seja, explodindo o Parlamento Britânico.
Fica a dúvida: terror para quem, em ambos os casos? Sutler aterroriza os populares com a polícia do governo, o controle da mídia. V aterorriza Sutler e aqueles que sentem-se confortáveis com o regime ditatorial. São linhas tênues, limítrofes, que se encaixam em apenas um ponto: V paga o terror de Sutler com terror. Sutler reprime o terror de V com terror.
"Ô abre-alas, que eu quero passar..."No meio disto temos Evey (Natalie Portman, sempre ótima), personagem central na trama por demonstrar que as reações, algumas vezes, independem das ações, partindo sim do quanto é possível suportar uma determinada ação em nome de uma causa.
V de Vingança acaba por se tornar mais do que o debate sobre o terror: é a demonstração de que erramos, qualquer seja o lado escolhido. E por mais que saibamos que estamos tortos, é o nosso erro, e ele a nossa vista é mais correto do que o erro do outro. Roteiro bem assimilável e uma câmera certa do que mostrar garantem que as idéias circulem pela tela sem soarem como fato. Temos as questões, não as respostas, que não nos deixam esquecer daquele cinco de novembro.
Nota: quatro estrelas na testa de James McTeigue

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