O Código Da Vinci
Que conste nos autos, Dan Brown é como Sidney Sheldon ou, ainda Paulo Coelho. A grande diferença é aquela cereja no bolo que eles não tiveram. Uma cereja em forma de melancia, digamos: a religião.
Brown reuniu, no Código algumas teorias que beiram o absurdo. Quis brincar de ser Oliver Stone, mas não chegou perto do teor conspiratório que o diretor possui. Mais do que "ofender" a Igreja Católica, o escritor em certos momentos ofende a inteligência do leitor.
Já constando que o livro é bom, até mediano eu diria, cabe falar do filme. Dirigido por Ron Howard, O Código Da Vinci é um filme estranho, e isso não é opinião de quem não entendeu lhufas da película. Parece, e talvez seja mesmo, uma manobra de estúdio para angariar receita. É como a série de remakes do clássico Onze Homens e Um Segredo: elenco grandioso, boa direção, algumas piadas bem sacadas e diversão garantida para o público e para os realizadores do filme. O tipo de filme que não vive sem publicidade à toneladas.
Há um problema grave, talvez: O Código Da Vinci, como tantos outros, almeja ser o Indiana Jones de nossa era. Só que o clássico de Spielberg, por mais descompromissado que aparenta ser, reúne ingredientes essenciais para um filme de aventura: mistério, arqueologia, história, piadas ótimas, um casal que não se dá muito bem e que, por isso, têm uma química absurda (quem se esquece de Harrison Ford e Kate Capshawn), ótimos personagens de apoio (Dr. Henry Jones era “só” Sean Connery), uma trilha sonora empolgante (vá dizer que você nunca correu em direção a uma porta fechando cantarolando a célebre composição de John Williams e amaldiçoando por não ter um chapéu?), entre tantas outras coisas.
Então Da Vinci fica com aquele ar de que faltou algo. Talvez seja o didatismo excessivo, principalmente da metade para o fim do filme. Talvez seja a falta de química entre Robert Langdon (Tom Hanks) e Sophie Neveu (Audrey Tatou). Podemos ainda "culpar" a magnífica atuação de Sir Ian Mckellen, o homem que ainda vai conquistar o mundo, no papel do professor Leigh Teabing.
Possivelmente a idéia de filme comercial que se guarda da obra é o que mais atrapalhou. Por mais que tenhamos um técnico na direção (Ron Howard não é perfeccionista e mestre como Stanley Kubrick, mas é famoso por gostar das coisas bem feitas. E refeitas), as idéias saem um tanto tortas. Howard, dono de pequenas obras-primas como Splash, uma sereia em minha vida, Apollo 13 - Do desastre ao triunfo, Uma mente brilhante - do qual levou um Oscar - e mesmo o recente Luta pela esperança, gosta de apelar para a emotividade em seus filmes. Geralmente eles tratam de conflitos entre o homem e seu meio, ou sua natureza própria, como os pilotos da Apollo, no primeiro caso, e o matemático esquizofrênico John Nash, no segundo. Em Da Vinci, não temos nem a idéia do tamanho do "segredo mais bem guardado da história". É tudo plástico, comum, carola até. O livro, que nasceu para ser "conspiratório", mostrou-se uma bela "receita de bolo", onde tudo é colocado ordenadamente, sem aprofundamento. O filme, que poderia ser mais emotivo, profundo, análitico, ficou burocrático. Algo que seria iluminado, lógico e emocionante nas mãos de Indiana, fica escolar e acadêmico com Langdon. Uma pena.
Nota: três estrelas na testa de Howard
Brown reuniu, no Código algumas teorias que beiram o absurdo. Quis brincar de ser Oliver Stone, mas não chegou perto do teor conspiratório que o diretor possui. Mais do que "ofender" a Igreja Católica, o escritor em certos momentos ofende a inteligência do leitor.
Já constando que o livro é bom, até mediano eu diria, cabe falar do filme. Dirigido por Ron Howard, O Código Da Vinci é um filme estranho, e isso não é opinião de quem não entendeu lhufas da película. Parece, e talvez seja mesmo, uma manobra de estúdio para angariar receita. É como a série de remakes do clássico Onze Homens e Um Segredo: elenco grandioso, boa direção, algumas piadas bem sacadas e diversão garantida para o público e para os realizadores do filme. O tipo de filme que não vive sem publicidade à toneladas.
Há um problema grave, talvez: O Código Da Vinci, como tantos outros, almeja ser o Indiana Jones de nossa era. Só que o clássico de Spielberg, por mais descompromissado que aparenta ser, reúne ingredientes essenciais para um filme de aventura: mistério, arqueologia, história, piadas ótimas, um casal que não se dá muito bem e que, por isso, têm uma química absurda (quem se esquece de Harrison Ford e Kate Capshawn), ótimos personagens de apoio (Dr. Henry Jones era “só” Sean Connery), uma trilha sonora empolgante (vá dizer que você nunca correu em direção a uma porta fechando cantarolando a célebre composição de John Williams e amaldiçoando por não ter um chapéu?), entre tantas outras coisas.
Então Da Vinci fica com aquele ar de que faltou algo. Talvez seja o didatismo excessivo, principalmente da metade para o fim do filme. Talvez seja a falta de química entre Robert Langdon (Tom Hanks) e Sophie Neveu (Audrey Tatou). Podemos ainda "culpar" a magnífica atuação de Sir Ian Mckellen, o homem que ainda vai conquistar o mundo, no papel do professor Leigh Teabing.
Possivelmente a idéia de filme comercial que se guarda da obra é o que mais atrapalhou. Por mais que tenhamos um técnico na direção (Ron Howard não é perfeccionista e mestre como Stanley Kubrick, mas é famoso por gostar das coisas bem feitas. E refeitas), as idéias saem um tanto tortas. Howard, dono de pequenas obras-primas como Splash, uma sereia em minha vida, Apollo 13 - Do desastre ao triunfo, Uma mente brilhante - do qual levou um Oscar - e mesmo o recente Luta pela esperança, gosta de apelar para a emotividade em seus filmes. Geralmente eles tratam de conflitos entre o homem e seu meio, ou sua natureza própria, como os pilotos da Apollo, no primeiro caso, e o matemático esquizofrênico John Nash, no segundo. Em Da Vinci, não temos nem a idéia do tamanho do "segredo mais bem guardado da história". É tudo plástico, comum, carola até. O livro, que nasceu para ser "conspiratório", mostrou-se uma bela "receita de bolo", onde tudo é colocado ordenadamente, sem aprofundamento. O filme, que poderia ser mais emotivo, profundo, análitico, ficou burocrático. Algo que seria iluminado, lógico e emocionante nas mãos de Indiana, fica escolar e acadêmico com Langdon. Uma pena.
Nota: três estrelas na testa de Howard


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