Sétima arte escrita por quem nada sabe de arte.

Tuesday, July 04, 2006

Matou o blog e foi ao cinema.

Comparando, a coisa fica assim: eu mudei do Playarte do West Plaza para o UCI sei lá das quantas, com tela digital, cadeira de massagem e, dependendo do conteúdo do filme, acompanheiras (heh).

Agora este recinto atende no http://luzcamerapost.blogsome.com

Ninguém manda essa joça ser mais turrona do que o Orson Welles. :oP

Monday, May 22, 2006

O Código Da Vinci

Que conste nos autos, Dan Brown é como Sidney Sheldon ou, ainda Paulo Coelho. A grande diferença é aquela cereja no bolo que eles não tiveram. Uma cereja em forma de melancia, digamos: a religião.

Brown reuniu, no Código algumas teorias que beiram o absurdo. Quis brincar de ser Oliver Stone, mas não chegou perto do teor conspiratório que o diretor possui. Mais do que "ofender" a Igreja Católica, o escritor em certos momentos ofende a inteligência do leitor.

Já constando que o livro é bom, até mediano eu diria, cabe falar do filme. Dirigido por Ron Howard, O Código Da Vinci é um filme estranho, e isso não é opinião de quem não entendeu lhufas da película. Parece, e talvez seja mesmo, uma manobra de estúdio para angariar receita. É como a série de remakes do clássico Onze Homens e Um Segredo: elenco grandioso, boa direção, algumas piadas bem sacadas e diversão garantida para o público e para os realizadores do filme. O tipo de filme que não vive sem publicidade à toneladas.

Há um problema grave, talvez: O Código Da Vinci, como tantos outros, almeja ser o Indiana Jones de nossa era. Só que o clássico de Spielberg, por mais descompromissado que aparenta ser, reúne ingredientes essenciais para um filme de aventura: mistério, arqueologia, história, piadas ótimas, um casal que não se dá muito bem e que, por isso, têm uma química absurda (quem se esquece de Harrison Ford e Kate Capshawn), ótimos personagens de apoio (Dr. Henry Jones era “só” Sean Connery), uma trilha sonora empolgante (vá dizer que você nunca correu em direção a uma porta fechando cantarolando a célebre composição de John Williams e amaldiçoando por não ter um chapéu?), entre tantas outras coisas.

"Alguém passa o sal, por favor?"

Então Da Vinci fica com aquele ar de que faltou algo. Talvez seja o didatismo excessivo, principalmente da metade para o fim do filme. Talvez seja a falta de química entre Robert Langdon (Tom Hanks) e Sophie Neveu (Audrey Tatou). Podemos ainda "culpar" a magnífica atuação de Sir Ian Mckellen, o homem que ainda vai conquistar o mundo, no papel do professor Leigh Teabing.

Possivelmente a idéia de filme comercial que se guarda da obra é o que mais atrapalhou. Por mais que tenhamos um técnico na direção (Ron Howard não é perfeccionista e mestre como Stanley Kubrick, mas é famoso por gostar das coisas bem feitas. E refeitas), as idéias saem um tanto tortas. Howard, dono de pequenas obras-primas como Splash, uma sereia em minha vida, Apollo 13 - Do desastre ao triunfo, Uma mente brilhante - do qual levou um Oscar - e mesmo o recente Luta pela esperança, gosta de apelar para a emotividade em seus filmes. Geralmente eles tratam de conflitos entre o homem e seu meio, ou sua natureza própria, como os pilotos da Apollo, no primeiro caso, e o matemático esquizofrênico John Nash, no segundo. Em Da Vinci, não temos nem a idéia do tamanho do "segredo mais bem guardado da história". É tudo plástico, comum, carola até. O livro, que nasceu para ser "conspiratório", mostrou-se uma bela "receita de bolo", onde tudo é colocado ordenadamente, sem aprofundamento. O filme, que poderia ser mais emotivo, profundo, análitico, ficou burocrático. Algo que seria iluminado, lógico e emocionante nas mãos de Indiana, fica escolar e acadêmico com Langdon. Uma pena.

Nota: três estrelas na testa de Howard

Wednesday, May 17, 2006

V de Vingança

Nascido da mente de Alan Moore, que o publicou como graphic novel nos anos 80, V de Vingança disserta, antes de mais nada, a política do olho por olho, dente por dente. Alçado por alguns como libelo ao terrorismo, o filme produzido pelos irmãos Wachowski e dirigido por James McTeigue parte de uma outra premissa que aparenta financiar a tese do terro como agente de mudança, porém fica-se apenas no lembrar: o terror se combate com o terror.

Estamos na Inglaterra, ano de 2020. O ditador Adam Sutler (John Hurt, muito bom do outro lado do balcão!) comanda os pais do futebol com mão-de-ferro (Moore fazia alusão ao futuro do governo da ex-premiê inglesa Margareth Thatcher, Wachowski/McTeigue tem outros alvos a disposição). Inspirado no "traidor" Guy Fwakes - personagem histórico que tentou explodir o Parlamento britânico, sem sucesso, no século 17 - aparece Codinome V (com voz de Hugo Weaving) para, no dia 5 de novembro, data da ação de Fawkes, lembrar a Sutler que a liberdade ainda existe, mesmo que feita por modos heterodoxos. Antes disso, ao som de Tchaikovski, iniciam-se os ataques ao governo inglês.

Temos então um ditador, que controla pelo terror tanto a população quanto seus pares no governo. Do outro lado temos V, um produto do Estado fascista que o governa, disposto a mudar a ordem das coisas por intermédio do terror, ou seja, explodindo o Parlamento Britânico.

Fica a dúvida: terror para quem, em ambos os casos? Sutler aterroriza os populares com a polícia do governo, o controle da mídia. V aterorriza Sutler e aqueles que sentem-se confortáveis com o regime ditatorial. São linhas tênues, limítrofes, que se encaixam em apenas um ponto: V paga o terror de Sutler com terror. Sutler reprime o terror de V com terror.

"Ô abre-alas, que eu quero passar..."

No meio disto temos Evey (Natalie Portman, sempre ótima), personagem central na trama por demonstrar que as reações, algumas vezes, independem das ações, partindo sim do quanto é possível suportar uma determinada ação em nome de uma causa.

V de Vingança acaba por se tornar mais do que o debate sobre o terror: é a demonstração de que erramos, qualquer seja o lado escolhido. E por mais que saibamos que estamos tortos, é o nosso erro, e ele a nossa vista é mais correto do que o erro do outro. Roteiro bem assimilável e uma câmera certa do que mostrar garantem que as idéias circulem pela tela sem soarem como fato. Temos as questões, não as respostas, que não nos deixam esquecer daquele cinco de novembro.

Nota: quatro estrelas na testa de James McTeigue

Wednesday, May 10, 2006

Missão Impossível III

Missão Impossível, a trilogia, é uma série fora de padrão. No campo da espionagem, temos como exemplo os filmes do agente James Bond: por mais que diferentes diretores estivessem por trás das câmeras, sempre há aquela marca da série, sejam os gadgets, sejam as bond-girls.

Outra série recente de espionagem, A Identidade Bourne e A Supremacia Bourne, mesmo guiados por mãos diferentes (o primeiro é de Doug Liman, o segundo de Paul Greengass), tem a linearidade que a história do agente Jason Bourne pede.

Já os filmes do agente Ethan Hunt (Tom Cruise), que junto com seus pares no cinema ganharam ao longo da série nomes completamente distintos em matéria de estilos de filmagem, mudaram o jeito de ser, a ponto de conservarem apenas os nomes das personagens em comum com seus pares.

O primeiro foi realizado pelo mestre Brian De Palma, cuja assinatura encontra-se nas cenas câmeras angulares, como no diálogo entre Ethan e Kittridge (Henry Czerny), ou na chegada de Kittrigde ao esconderijo do terrorista Max (Vanessa Redgrave). A invasão ao quartel da CIA é absurda de tão boa e a cena final com direito à espionagem de primeira, TGV, helicópteros e um túnel é digna de ecoar para sempre no coração dos cinéfilos.

O segundo veio ao mundo com John Woo na direção. Nascido na China, Woo apareceu para o cinemão americano com o ótimo - porém subestimado - O Alvo, que tinha Van Damme no elenco. As características de Woo, câmera em slow nas cenas de ação, troca de máscaras entre as personagens e, por conseguinte, troca de personalidades e as sempre presentes pombas brancas estão em MI II, dando um upgrade em matéria de ação à série. Para quem tinha odiado Missão Impossível do De Palma, por achar parado, foi um deleite e tanto. Pequena curiosidade: o segundo filme da série seria dirigido por Oliver Stone, mas o mesmo declinou o convite pois Cruise estava ocupado trabalhando com De olhos bem fechados. Fica a torcida para que ele receba, e aceite, o convite para uma possível quarta edição da série.

"Tom Cruise comemora o São João no Brasil e pula fogueira na Ilha de Caras"

Agora para o terceiro Tom Cruise, também produtor da série, resolveu chamar um novato na tela grande, o diretor J. J. Abrams. Se você viveu em Marte durante dois a três anos, provavelmente não saiba quem é Abrams. Se você esteve aqui na Terra, lembra que o diretor é o criador de três séries que já fizeram história nas polegadas de muitas casas do mundo: Lost, Alias e a menos conhecida do público brazuca, porém não menos cultuada, Felicity.

Seguindo o exemplo dos diretores citados, (ou seria melhor dizer não seguindo do exemplo?) Abrams deu seus toques pessoais à Missão Impossível III. A linguagem deste novo filme é muito mais televisiva do que os anteriores, ao começar pelo formato flashback característico de
Lost, por mais que ele seja usado à exaustão para tornar filmes chatos um pouco mais interessantes. Abrams também acrescentou mais mistério à trama e dramas pessoais (um toque de Sidney Bristow, a heroína de Alias) à série. Há um quê de família para Ethan, e essa questão acaba por ser o norte do filme, sem aquele movimento piegas do Spielberg, para que os fãs da série não fujam logo de cara.

Disse no começo do texto que os filmes são distintos, o que não os torna desiguais. Ambos capricham nas cenas de ação (a deste último, o ataque ao comboio numa ponte, é fantástica), no elenco (até hoje, para constar: Philip Seymour Hoffman, Jean Reno, Jon Voight, Emmanuelle Bèart, Ving Rhames, Dougray Scott, Jonathan Rhys-Meyers, Kristin Scott Thomas, Laurence Fishburne, Thandie Newton, Anthony Hopkins, entre outros) e tem produção impecável. Mesmo com alguns equívocos em sua carreira cinematográfica, Cruise sabe como ninguém escolher papéis e, como vemos com a série Missão Impossível, produzir filmes.

Nota: Cinco estrelas na testa de J. J. Abrams

Thursday, April 06, 2006

O plano perfeito

Da filmografia de Spike Lee, eu lembro bem de Malcolm X e A última horas. Ambos tratavam do racismo, seja na liderança do controverso Malcolm ou no preconceito criminal contra Edward Norton e sua última noite como homem livre na Nova York recém atacada pela Al Qaeda naquele 11 de Setembro. Ambos têm seus momentos panfletários, tanto para o bem quanto para o "mal". Ambos são grandes películas.

Assim aprendi que o cinema de Spike Lee é verborrágico e bastante técnico. Tem primor nas câmeras, lida com elenco como poucos, enfim, uma gama de razões que transformam o diretor num integrante do top ten de muitos mundo afora.

"Ebola?! What the fuck..."


Quando vi O plano perfeito tive aquela mesma sensção narrada textos atrás com Match Point de Woody Allen: você sabe que é um filme de Lee, mesmo vendo algumas coisas que nunca tinha visto antes na filmografia do diretor. Exemplo disso talvez seja o roteiro. Tratando de um assalto a banco no melhor estilo dos grandes assaltos, Spike troca a questão racial pela informação. Afinal de contas, um banco abarrotado de dinheiro vale mais do que duas folhas de papel e um anel Cartier dentro de uma obscura gaveta no cofre? A quem interessa mais aquele documento, ao ladrão Dalton Russel (Clive Owen), ao detetive Keith Frasier (Denzel Washington), investigado pela corregedoria, à "negociadora" de assuntos obscuros Madeline White (Jodie Foster) ou ao dono do Manhattan Trust, Arthur Case (Christopher Plummer)? As questões pululam enquanto a câmera firme do diretor atua, os diálogos corrosivos se mostram pontuais e as atuações beiram a perfeição. Cada um ali é tão diferente e ao mesmo tempo iguais em suas metas. Não importa se branco, negro, árabe, judeu. O que vale é a informação da gaveta, que não tem raça, credo, mas vale milhões.

E é por esta gaveta que Russel rouba, que Keith precisa retomar seus status de bom detetive, que Madeline precisa confirmar sua posição de melhor no seu ramo e que Case faz o que for necessário para guardar um segredo, custe o que custar. Mesmo com muitos Benjamins verdinhos lá dentro, o papel é quem delimita. Diria o eterno Professor Jones (Sean Connery) que a pena é mais forte que a espada.

E tudo isso com Spike na cadeira, deixando um pouco de lado seu bom cinema político e mostrando que filma assaltos e capta diálogos impagáveis como poucos.

Nota: cinco estrelas na testa de Spike Lee

Friday, March 17, 2006

Crash

Dirigido por Paul Haggis, Crash mostra que há uma grande diferença nos filmes dirigidos por roteiristas por ofício, uma vez que o diretor ficou famoso mundo afora pelo soberbo roteiro de Menina de Ouro. Estreando atrás das câmeras, Haggis mostra ao público que consegue tirar o máximo do ótimo elenco escolhido para a película (onde se destacam Matt Dillon, Thandie Newton, Don Cheadle, Ryan Phillippe, Terence Howard e, surpresa, Sandra Bullock e Brendan Fraser), nos brinda com diálogos memoráveis e, como se ao fosse o suficiente, conduz a câmera como se estivesse escrevendo com imagens a história a ser contada.

Preconceito é norte da história de Crash. Na multiétnica Los Angeles, todo mundo tem seus receios ante o diferente. Sejam os jovens negros num bairro branco e rico da cidade, seja o promotor público e a esposa, o persa que, por ser árabe, cai no estereotipo de “inimigo da América” e m contrapartida tem a América como inimiga ou o diretor negro de cinema que fecha seus olhos ao preconceito como forma de integração social, sempre há em Crash uma hora onde o “encontrão”, razão de ser do nome do filme*, torna-se uma espécie de volta primitiva aos anseios mais obscuros perante a sociedade.

"Assisti o CSI ontem. Vocês são burros demais, tá tudo errado!"


Narrado de forma fragmentada, onde as histórias acabam por se juntar numa reação em cadeia, o filme consegue ser tão superior a congêneres seus como Traffic e Amnésia. O modo não linear, inclusive, talvez seja a única maneira de tratar como povos tão diferentes - e pensamentos tão eqüidistantes - descobrem que os “encontrões” podem mudar nossa forma de ser, nos libertar da hipocrisia ou mesmo mostrar nosso lado mais absurdo e primitivo. A noção do bem e do mal mostrada no filme também é soberba. Tal qual um efeito dominó, o mal concebido encaminha a um mal maior ainda. Porém, interrompendo o efeito de queda das peças, realizar um ato bondoso pode nos mostrar que a vida com o diferente pode nos dar a percepção do quanto somos iguais em nossas idiossincrasias. Seja brancos, negros, árabes, latinos, judeus, as peculiaridades de cada raça são próximas, por mais distantes que pareçam.

Haggis conseguiu fazer um filme sobre preconceito sem ser panfletário, sem cair em lugares comuns e ainda nos surpreende com lances onde o surreal invade as telas, por mais reais que sejam as histórias de vida ali narradas. Não é a toa que a Academia foi justíssima esse ano, dando o Oscar de Melhor Filme à Crash. Por maior que tenha sido minha torcida, por razões pessoais, ao ótimo Boa Noite e boa sorte, a estatueta está em boas mãos.

*Gabi, viciada e erudita em assuntos que dizem respeito à etimologia, além de outros tantos, explica:

Uma coisa interessante: em inglês, a palavra crash tem alguns significados. O da colisão é um deles. Mas ele tem um sentido de acidente também, com uma conotação trágica, como em "car crash" ou "plane crash". Por fim, tem um sentido de barulho ou ruído, como em "I heard a crash." Isso é muito legal, porque todos os sentidos se aplicam à película, de uma ou outra maneira, até mesmo por conta dos diversos acidentes de carro que acontecem durante o filme.

Nota: cinco estrelas na testa de Paul Haggis, mais um “continue assim”.

Tuesday, March 14, 2006

Match Point

Não sou profundo conhecedor da obra de Woody Allen, uma vez que recentemente descobri o diretor. Nada contra o estilo, e por conta de filmes como Poderosa Afrodite e Annie Hall (que ganhou a terrível tradução de Noivo neurótico, noiva nervosa), Allen certamente figuraria no meu top ten.

Eis que no meu processo de formação sobre Woody Allen, me deparo com o ótimo Match Point. É tudo diferente do Allen que eu aprendi. É em Londres, não em Nova Iorque. Não temos mais o Central Park, e soa estranho ver o Tamisa, o Palácio de Buckingham, a guarda real com os chapelões. As neuroses judaicas foram substituídas pelas neuroses das mulheres britânicas. Mas mesmo com todas as alterações de estilo, conserva-se a aura alleniana na obra.

Mas talvez o maior trunfo do filme seja o flerte com Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski. Na obra russa, um dos maiores personagens da literatura, Ródion Románovich Raskólnikov, é fulminado pelo sentimento de culpa e pelo complexo moral após matar uma senhora agiota e a irmã dela,
na Rússia do século XIX. Estudante pobre de São Petersburgo, Raskólnikov é um vórtice de culpa, arrependimento e cara-durismo. Comete o crime por uma causa sua, a dívida que tem com a agiota, pessoa a quem acha abominável.

Allen também tem seu homicida, no caso o instrutor de tênis Chris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers). Exemplo típico do self-made man, Wilton é o irlandês pobre que galgou alguns degraus no tênis profissional mas nunca chegou a ser um Federer da vida. Nem mesmo um Guga, bem da verdade. Vendo não ter mais alternativas na sua carreira, o tenista acaba por dar aulas de tênis para os ricaços britânicos, onde conhece Tom Hewett (Matthew Goode) e a irmã dele, Chloe (Emily Mortimer). Ali está o primeiro passo de Wilton rumo à nobreza britânica. Ali também está seu castigo, no corpo de Nola (Scarlet Johanson - coisa linda de Meu Deus), namorada de Tom.

"E o burro do
Júlio não sabe jogar tênis...tsc tsc tsc..."


Segue-se então Allen dando uma passeada pela ótica do mestre Hitchcock. Saímos da história de Wilton para entrar num thriller onde o tenista precisa escolher entre a vida bem sucedida ao lado de Chloe ou o amor incondicional por Nola, restando a questão cabal: o que Wilton ama mais, o dinheiro ou Nola? O sentimento de culpa será maior agora, com o fim de todo o caso extraconjugal, ou depois, quando o olhar para trás mostrará que uma oportunidade única foi jogada fora? E sua luta para adentrar num círculo que, no ponto de vista do tenista, é ser lugar por direito, vale ser jogada para o alto por causa de um possível grande amor?

Toda essa dubiedade, extraída em parte da obra de Dostoiévski, é elemento ímpar no mais recente filme do diretor. E mostra que, além das comédias sobre relacionamentos e neuroses sem fim, Allen também tem a mão firme para trabalhar com enredos sérios, diferente de outros filmes do diretor que debatem, pela ótica da comédia, assuntos não menos sérios.

Nota: cinco estrelas na testa de Allen, mas um "meus parabéns".

PS: Como bem lembrou a Gabi, o infeliz o Wilton tem o terno mais bem cortado da história das roupas em todos os tempos. E Scarlet Johanson no mato, na chuva, hiper-mega-ultra-sexy é algo que me remete a uma palavra: inesquecível.